
A conversa foi longe no escuro da sala. Dançamos forró com o carinho das almofadas. O toque permitido fez a cena e deslizamos para uma dimensão sozinhos. Suspirando lascivamente, só mexemos de inquietação com assanhados gestos de pernas e mãos. É da alma a entrega que se encena. Abriu-se a porta dos desejos suprimidos e cada fala nossa carregava um pedido não dito, "Quero sua mente obscena". Para cada beijo que a gente dá sem se encostar, sussuramos mais desejo ebulindo vontade louca de unir mente e pele. Aqui no tapete de crochê, que condena meu corpo seduzido em seus pés a mercê, que peço a sua pupila: me toque sem corpo, me lambe só com o olho, me aperte todas as verdades para só então ficarmos nus.2022